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SIM GALERIA | ARCO MADRID 2014


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A SIM Galeria está presente na feira internacional ARCO Madrid 2014. E está apresentando obras dos artistas Isidro Blasco, Katinka Pilscheur, Romy Pocztaruk e Tony Camargo.

A Feira acontece de 19 à 23 de Fevereiro

Os atuais momentos de incerteza do mundo contemporâneo nos colocam em estado permanente de alerta, deslocando nosso olhar para múltiplos perigos iminentes que requerem o empenho constante na reconstrução dos sentidos de arte e de humanidade. Isidro Blasco, Romy Pocztaruk, Katinka Pilscheur e Tony Camargo se encontram no confronto com esses ambientes de instabilidade, transformando iminentes rupturas em potências poéticas. Elaborados a partir da experiência individual, os estados de tensão e angústia permanentes das obras desses artistas traduzem uma atmosfera cotidiana e coletiva marcada pela reflexividade, pelo risco e pela suspensão das certezas.  

Construções esquecidas por novas diretrizes políticas depois de cumprirem alguma função econômica, social ou bélica são abordadas pela artista Romy Pocztaruk. Não interessa a artista fazer um mapeamento histórico desses lugares, mas construir narrativas visuais através de suas ruínas. Os lugares abandonados são visitados por ela não com a intenção de registro, mas como uma experiência de suspensão no tempo do avanço humano sobre a natureza. A artista nos traz a retomada de uma condição inevitável, a certeza de que nosso tempo pode mudar a qualquer momento, que algo sempre terá seu fim e no fim a nossa incerteza sobre qual natureza prevalecerá, se a humana, com seus objetivos e projetos de crescimento e expansão ou se a outra, inexorável e sem tempo, que nos observa e aguarda sempre nosso fracasso para afirmar que tudo sempre foi seu domínio desde o início dos tempos. Seus trabalhos nos colocam diante da estranheza de lugares onde as ações do homem perderam o lugar, deslocando nosso olhar para a constante iminência do desaparecimento. As imagens produzidas formam um outro lugar, são aparições simbólicas do passado no presente, um passado sem glórias e sem vitoriosos, onde os únicos monumentos de suas histórias são as suas próprias ruínas. 

Não são todos os restos que contam sua história, mas todas as histórias são contadas pelo que restam delas. Essa constatação obriga o narrador a remontar  restos para contar uma história. Mesmo assim elas se revelam incertas no mundo contemporâneo, no qual a multiplicidade de pontos de vista podem formar as mais distintas narrativas sobre um mesmo tema. Quando ocorrem debates, por exemplo, as vozes que não se pensam como vozes, representantes de um conjunto de desejos e anseios, passam rapidamente à condição de simulacro.

Nesse sentido, pleno da angústia de saber não ser possível uma certeza, um ponto de vista que seja o melhor ou mais seguro ponto de vista, Isidro Blasco constrói suas narrativas visuais pela propagação sem fim de fragmentos de um mesmo lugar. O artista remonta lugares cotidianos através de fragmentos deslocados, constrói espaços possíveis dentro de outros espaços possíveis. Suas obras trazem à tona uma montagem arquitetônica e fotográfica das instabilidades contemporâneas. Todas as fotografias são válidas, e não há uma ou outra fotografia que ganhe um destaque maior em sua arquitetura. Ele encontra uma arquitetura da fotografia, e se utiliza disso para apresentar uma atual fábula do olhar, transformando um espaço real, um prédio, uma casa, uma rua, numa narrativa visual alegórica, pela qual passamos a observar de maneira concreta que todo fragmento, apesar de se manter fragmento, e por mais torto ou deslocado que seja enquanto fragmento, compõe alguma realidade com sentido e lugar específicos. 

Passando das ruínas em narrativa de Romy Pocztaruk e das fábulas visuais de Isidro Blasco encontramos Katinka Pilscheur e Tony Camargo trazendo a pintura para o âmbito industrial, se embrenhando nas relações da indústria e toda sua potência com o cotidiano da vida e da arte contemporânea. 

 Katinka estabelece contato com o desenvolvimento de cores nos setores industriais que compõem grande parte da estética cotidiana. Ela cria configurações cromáticas a partir de tintas automotivas, da palheta de cores dos esmaltes de unha de vários lugares do mundo, entre outras. Como se não bastasse apresentar as determinações industriais ao redor daquilo que utilizamos diariamente, suas obras possuem um reflexo que acaba espelhando de maneira sutil o ambiente que as cercam. Os ambientes passam a fazer parte dos trabalhos, nomeados de acordo com o catálogo industrial de cores, assim como o próprio trabalho diz ao ambiente sua origem e suas restrições. As suas exposições trazem com os trabalhos estruturas de madeira ou de ferro, indicando que as presenças das obras e suas elaborações nesse campo, assim como todo processo industrial, está em permanente construção. Suas instalações nos dizem que há um processo que jamais se encerrará, que as diretrizes de estética regidas pela economia passaram de maneira definitiva à composição do nosso mundo, do esmalte de unha à mais sofisticada pintura numa obra de arte contemporânea.   

Tony Camargo percorre o mundo criando fatos pictóricos. O uso de compressores e cores industriais e publicitárias em seus fotomódulos enuncia sua preocupação com o domínio do design e com seu poder de síntese. O artista inverte a subordinação estética provocada pela indústria e seus meios teóricos e práticos, transformando-os todos em pintura. Ele traz para a pintura elementos utilizados indiscriminadamente para persuadir, mas deixa claro sua posição de artista que passa a orquestrá-los com estilo próprio, tal como um maestro. As fotografias quando são utilizadas possuem todos os seus elementos pensados como composição pictórica, do lugar onde a câmera se posiciona às cores e volumes que irão ocupar no plano. O seu corpo, sempre com o rosto coberto para não criar um auto-retrato fotográfico, se esforça para chegar à tensão pictórica almejada. Ele suspende o tempo em suas obras, não por conta da fotografia, mas porque afirma que um fato pictórico não possui tempo, possui presença, tensão e síntese. Mesmo transpondo o mundo para a tela, suas obras afirmam o fato pictórico como lugar de equilíbrio extremo por deixar visível consigo uma iminente ruptura. 


Arthur do Carmo
Jun./2013



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